Comprei uma revista que falava sobre os poderes maravilhosos dos sucos. Trazia uma receita especial sobre o “suco de grãos germinados”. Recomendava que, de preferência se pusesse para germinar a semente de trigo. Esse cereal, segundo a reportagem, reforçava nossas atitudes de persistência e coragem. Comprei a semente e fiz como ensinavam: coloquei de molho por oito horas, escorri, depois coloquei para crescer sobre uma vasilha de barro, repousando sobre um tecido de algodão cru. Reguei duas vezes por dia somente com água e aguardei.
Como foi mágico quando a semente germinou. As folhinhas, parecendo pequenas lâminas, extremamente verdes, começaram a aparecer em meio aos grãos e dia após dia se transformaram em minha lavourazinha particular. Lembrei dos trabalhos escolares, quando colocava o grãozinho de feijão para crescer em cima do algodão... Agora, sentia a mesma emoção novamente, observando meu pequeno milagre. Quando trazemos a natureza pra dentro de casa, mesmo com esses pequenos gestos, todos se envolvem. Minhas filhas acompanhavam o processo e me davam um relatório assim que eu entrava em casa. Tive até de chamar a atenção! Molhavam demais as frágeis plantinhas, correndo o risco de matá-las, por excesso de água.
Finalmente chegou o grande dia. Quando supus que já estavam de bom tamanho, anunciei: _ Vou colher um pouco dos grãos germinados para fazer o suco! Todas correram para a cozinha atentas ao processo. Tentei puxar as sementes e que surpresa! Estavam grudadas de forma firme no tecido. As raízes, tais quais pequenas ramas, se infiltravam pelas fibras, tendo o triplo ou mais de tamanho em relação às folhas. E eram resistentes. Puxei com força, mas não desgrudaram. Ficamos atônitas e maravilhadas (gente da cidade é boba mesmo!). Questionamo-nos se colocaríamos as raízes no suco e eu decidi rápido: _É claro. Têm muitas proteínas e nutrientes! Cortei uma porção cuidadosamente com a faca, lavei, coloquei no processador com maça, cenoura, limão, laranja, couve (rica em ferro) e alface (calmante e desestressante). Adocei com mel e coei. Parece ruim? _Ficou uma delícia! Por incrível que pareça, as meninas (que acompanharam o plantio) foram as primeiras a tomarem.
Descobri que esse suco é mágico mesmo! Não pelo suco em si, que alguns dizem que cura toda sorte de doenças. Mas, pelo processo do plantio, do cuidado, da preparação. Aprendi a observar o tempo das coisas. Aguardar que a natureza aja e esperar que as sementes brotem. Aprendi sobre o cuidado, sobre amor, regar com a quantidade certa todos os dias, aguardando com paciência que surjam os primeiros raminhos. Aprendi sobre raízes. Como elas se entranham e são resistentes. Muitas vezes observamos apenas a superfície das coisas sem olhar seu substrato. Aquilo que as sustenta. Aprendi um pouco mais sobre o trabalho paciente. As pequenas ações que parecem que não vão dar em nada, mas que, com um pouco de calma, transformam-se no milagre da vida. E de quebra, aprendi que as misturas mais inusitadas podem render bons sucos. Que é da diversidade que nasce os sabores mais incríveis. Saúde!
ELIANE BRITO é escritora, advogada, conselheira eleita da OAB-GO. eliane@rodovalho.com.br
Como foi mágico quando a semente germinou. As folhinhas, parecendo pequenas lâminas, extremamente verdes, começaram a aparecer em meio aos grãos e dia após dia se transformaram em minha lavourazinha particular. Lembrei dos trabalhos escolares, quando colocava o grãozinho de feijão para crescer em cima do algodão... Agora, sentia a mesma emoção novamente, observando meu pequeno milagre. Quando trazemos a natureza pra dentro de casa, mesmo com esses pequenos gestos, todos se envolvem. Minhas filhas acompanhavam o processo e me davam um relatório assim que eu entrava em casa. Tive até de chamar a atenção! Molhavam demais as frágeis plantinhas, correndo o risco de matá-las, por excesso de água.
Finalmente chegou o grande dia. Quando supus que já estavam de bom tamanho, anunciei: _ Vou colher um pouco dos grãos germinados para fazer o suco! Todas correram para a cozinha atentas ao processo. Tentei puxar as sementes e que surpresa! Estavam grudadas de forma firme no tecido. As raízes, tais quais pequenas ramas, se infiltravam pelas fibras, tendo o triplo ou mais de tamanho em relação às folhas. E eram resistentes. Puxei com força, mas não desgrudaram. Ficamos atônitas e maravilhadas (gente da cidade é boba mesmo!). Questionamo-nos se colocaríamos as raízes no suco e eu decidi rápido: _É claro. Têm muitas proteínas e nutrientes! Cortei uma porção cuidadosamente com a faca, lavei, coloquei no processador com maça, cenoura, limão, laranja, couve (rica em ferro) e alface (calmante e desestressante). Adocei com mel e coei. Parece ruim? _Ficou uma delícia! Por incrível que pareça, as meninas (que acompanharam o plantio) foram as primeiras a tomarem.
Descobri que esse suco é mágico mesmo! Não pelo suco em si, que alguns dizem que cura toda sorte de doenças. Mas, pelo processo do plantio, do cuidado, da preparação. Aprendi a observar o tempo das coisas. Aguardar que a natureza aja e esperar que as sementes brotem. Aprendi sobre o cuidado, sobre amor, regar com a quantidade certa todos os dias, aguardando com paciência que surjam os primeiros raminhos. Aprendi sobre raízes. Como elas se entranham e são resistentes. Muitas vezes observamos apenas a superfície das coisas sem olhar seu substrato. Aquilo que as sustenta. Aprendi um pouco mais sobre o trabalho paciente. As pequenas ações que parecem que não vão dar em nada, mas que, com um pouco de calma, transformam-se no milagre da vida. E de quebra, aprendi que as misturas mais inusitadas podem render bons sucos. Que é da diversidade que nasce os sabores mais incríveis. Saúde!
ELIANE BRITO é escritora, advogada, conselheira eleita da OAB-GO. eliane@rodovalho.com.br
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